Janeiro 31, 2005

Clube de Leituras/ Crime e Castigo

“Em vez da dialética, surgiu a vida, e já na sua consciência devia elaborar-se algo de totalmente distinto.”
Essa frase está na penúltima página do livro, no momento que li, parei, li de novo.Foi nesse momento que o livro passou a fazer sentido pra mim.
A vida de Raskólhnikov até esse momento foi pura dialética.Ele inventou uma teoria e entrou num debate interior, confrontando a sua teoria com outras, com o que ele imaginava que os outros pensavam.Está claro no livro que o assassinato da velha usurária era uma tentativa de comprovação da sua teoria.Ele não se sentiu culpado pelo assassinato, pela morte de dois seres humanos, o problema foi o fracasso de sua teoria.Rodka não suportou a idéia que a teoria por tanto tempo ruminada não funcionou na prática.
Na duas últimas páginas, precisamente na frase já citada, eu escutei Dostoievski dizendo que não adianta agente se afundar em livros e pensadores e história.Que não é o capitalismo, socialismo, niilismo que vai salvar o mundo.Que quanto mais agente se afunda em teorias, debates intermináveis, mais agente se afasta das pessoas, do humano.Isso me lembrou Marx e conseqüentemente o marxismo, comunismo.Pelo pouco que li e pelo muito que ouvi e vi concluí que o marxismo é um sistema perfeito, exceto por um detalhe, toda a teoria é alicerçada em um homem ideal, um homem perfeito e todos nós sabemos que estamos longe de alcançar a perfeição.O marxismo não é errado, só é distante do homem. Não adianta lutarmos por teorias se não conseguimos compreender e amar as pessoas.Somente através do sentimento, mais precisamente do amor poderemos encontrar a felicidade.
Além disso, o livro levantou uma questão, uma questão no meu ponto de vista ainda mais intrigante e que não consegui achar a resposta, nem no livro, nem fora dele.
O que faz o ser humano não acabar com a própria vida?Sônia, Rodka e muitos outros personagens viviam no mais completo desespero, sem nenhuma perspectiva de vida.Em muitas passagens do livro fala-se em suicídio.O que levou Rodka a não se matar?Fora do livro, na vida real, muitas pessoas agüentam coisas insuportáveis para os outros, o que as levam a continuar vivendo?
O contrário também me intriga, o que leva ao suicídio pessoas que, como diz a linguagem popular, têm tudo pra ser feliz?Um exemplo disso, no livro, é o personagem Svidrigáilov.Homem de boa aparência, rico e finalmente livre que acaba dando um tiro na cabeça.O que explica isso? O que explica o não suicídio do pai de Sônia?Homem derrotado, viciado, sem dinheiro, com a perfeita noção que era um estorvo para a família.Acaba morrendo em um acidente, mas nunca cogita a idéia de acabar com a própria vida.Essa é uma questão que não achei resposta no livro, até pode estar lá e não consegui captar, mas o fato como já disse é que não encontrei a resposta no livro, nem fora dele.



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